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13/06/2011

Google homenageia Fernando Pessoa

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O Doodle, imagem comemorativa da home do Google, de hoje enaltece ninguém menos que o grande escritor português Fernando Pessoa. Famoso por seus heterônimos como Chevalier de Pas, seu primeiro criado um ano após a morte de seu pai e de um irmão. Pessoa produziu seu primeiro heterônimo com apenas seis anos de idade.

Hoje, se estivesse vivo, além de ser o homem mais velho do mundo, Pessoa completaria deu 123º aniversário. Imaginemos então, quantos heterônimos ele já teria criado!
Principais heterônimos de Fernando Pessoa:


Álvaro de Campos

Foi o heterônimo mais produtivo de Pessoa, deve ter sido o mais trabalhado pelo poeta que foi evoluindo o personagem com o passar do tempo modificando o estilo de Campos. Álvaro fora um engenheiro educado na Inglaterra e nascido em terrar Portuguesas. Lembrando ditos recentes do psicanalista Contardo Calligaris, que não acredita muito no sentido e na necessidade do sentimento patriótico, Álvaro de Campos mostrava em escritos que se sentia um estrangeiro em qualquer lugar do mundo.

É um heterônimo bastante moderno e com fortes influências do simbolismo até certo ponto, quando o autor decide sucumbir ao futurismo e mais tarde o niilismo. A crítica social é muito forte em seus textos, as vezes um sentimento de revolta o toma e lembra muito os paulistas quando enaltece a velocidade de centros urbanos e a vida moderna.

Na minha opinião é o heterônimo mais bacana e é barato! Eu tenho esse livro aqui, custou uns R$15.


Ricardo Reis

Dizem que de médico e louco todos tem um pouco, pelo menos o lado médico Pessoa explorava com seu heterônimo Ricardo Reis. Conservador, monarquista e latinista, Reis buscava manter valores comportamentais e sociais com os quais havia crescido.

Seu testo possui características clássicas como métrica, simetria e até cenários bucólicos e campestres, nada referente ao estilo de Álvaro de Campos. O extremo de sua característica de vontade de retorno do antigo é quando ele escreve sobre o fim dos seres vivos. Será que ele antevia tudo que os humanos fariam nos séculos XIX e XX?!

Ricardo Reis se mudou para o Brasil após a proclamação da República Portuguesa, como ato de protesto em favor da monarquia. Pessoa não chegou a anunciar a morte de Reis.


Alberto Caeiro

Seguramente Alberto Caeiro é dos heterônimos de Pessoa o mais emblemático. Camponês de vida simples e pouquíssima instrução, Caeiro represente o homem em seu estado mais puro. Pouco "lapidado" por sistemas sociais como academia, poder de Estado etc. Era agricultor de baixa renda e nascido em Lisboa, fora criado por uma tia-avó e mais tarde faleceu de tuberculose. Até hoje é muito comparado a Jeca Tatu, personagem brasileiro também agricultor e criado por Monteiro Lobato, levado às telas do cinema pelo mestre Mazzaropi. A marca dos escritos de Caeiro é seu materialismo, acreditar que homens são "apenas seres que são," sem a necessidade de filosofia ou metafísica para explicá-los.

Sobe Careiro muito foi escrito, tanto Pessoa quanto os heterônimos Ricardo Reis e Bernardo Soares. Alberto Caeiro era qualificado como poeta e filósofo, porém o agricultor renegava qualquer título que lhe era outorgado. Pessoa chegou a divulgar que Alberto Caeiro fora construído como um leonino, signo associado ao elemento fogo.

"Uns agem sobre os homens como o fogo, que queima nele todo o acidental, e os deixa nus e reais, próprios e verídicos, e esses são os libertadores. Caeiro é dessa raça. Caeiro teve essa força."

Dentre os heterônimos criados por Pessoa, Caeiro foi o único que não escrevia em prosa. Apenas a poesia era capaz de dar conta da realidade, segundo Caeiro. Apesar de sua formação formal fraca, Caeiro produziu textos que, embora simples na aparência, necessitam de uma capacidade reflexiva bastante avançada.

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31/05/2011

Onde Foi Parar o Nosso Tempo - Alberto Villas @Recomendação de Leitura




Recomendando aqui um livro que acabei de começar a ler, mas já tô adorando. A nossa conturbada relação de (pouco) amor e (muito) ódio com o tempo.
Alberto Villas, ex-Fantástico e atual diretor nacional de jornalismo do SBT, faz uma reflexão bacana de como se vivia antes e tinha-se tempo para fazer o que queria e agora, com tanta tecnologia "facilitando a nossa vida, não conseguimos fazer tudo o que queremos.

Queríamos pouco ou queremos demais?!

O livro foi publicado pela Editora Globo e custa R$34,90.

Descrição oficial:

Para os que não haviam nascido ou eram muito pequenos para lembrar, "Onde foi para nosso tempo?" é uma oportunidade de conhecer um país mais caloroso, no qual as facilidades técnicas que hoje tomamos por naturais não existiam, mas havia mais tempo e gosto pelo convívio descompromissado e prazeroso da família e dos amigos. Já para os cinquentões, é uma deliciosa viagem de regresso àquela época. 
E isto só acontece porque o livro de Villas tem uma característica que o difere de uma obra típica de memórias. Afinal, ele está menos preocupado com o relato pessoal do que em invocar todo o cotidiano de um período que os leitores saberão imediatamente reconhecer, e se identificar, transitando sempre entre aquilo que viveu pessoalmente, mas que é também comum a toda uma geração. 



Era uma vez, num lugar não muito distante, e há não muito tempo, as salas de visitas. E, curiosamente, esses cômodos serviam para receber visitas em casa. Sim, amigos que chegavam de surpresa e eram bem-vindos, mesmo que ficassem para o jantar sem avisar. Para os indesejáveis, de toda forma, restava um último recurso: colocar atrás da porta uma vassoura de cabeça para baixo.
Entrevista com o Autor na Trip FM:



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